Como fortalecer a cultura de integridade nas empresas: o papel da liderança e do exemplo
- Lilia Beatriz Freitas

- 22 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

Em qualquer organização, a cultura de integridade não nasce espontaneamente — ela é construída, orientada e reforçada diariamente. Entre todos os elementos que compõem um Programa de Integridade, um pilar se destaca como determinante para o sucesso: o tom da liderança.
É a conduta da alta gestão que define a força da cultura ética de uma empresa. Quando líderes comunicam coerência entre discurso e prática, a integridade se torna natural. Quando são ambíguos, permissivos ou negligentes, a cultura se fragmenta — e nenhum código ou manual é capaz de compensar essa lacuna.
O que significa “tom da liderança”?
O tone at the top é a demonstração, por parte da liderança, de que a ética não é apenas um valor declarado — mas um compromisso incorporado à tomada de decisão, às comunicações e ao comportamento cotidiano.
Ele se manifesta em atitudes como:
recusar vantagens indevidas,
apoiar decisões corretas mesmo quando são impopulares,
deixar claro que desvios não serão tolerados,
priorizar transparência em processos críticos,
acolher denúncias com seriedade e confidencialidade.
Liderança ética não é sobre perfeição. É sobre coerência.
Por que a liderança determina o sucesso do Programa de Integridade?
Nenhum programa é capaz de prosperar se a liderança não o sustentar com clareza e firmeza. Isso acontece porque colaboradores observam mais o que líderes fazem do que o que dizem.
Quando existe alinhamento entre discurso e prática, a cultura interna se fortalece, porque:
políticas passam a ser respeitadas;
colaboradores sentem segurança para reportar irregularidades;
decisões éticas ganham legitimidade;
riscos diminuem e previsibilidade aumenta;
a reputação organizacional melhora e atrai parceiros confiáveis.
Integridade se espalha de cima para baixo — e encontra sustentação quando a governança é ativa, transparente e coerente.
Exemplos práticos de como o exemplo da liderança fortalece a cultura
1. Decisões transparentes
Quando um diretor explica por que recusou um “presente corporativo” de alto valor, reforça que políticas internas existem para proteger a empresa — e não para limitar relacionamentos.
2. Acolhimento responsável de denúncias
Gestores que tratam relatos com seriedade, sigilo e respeito demonstram que o canal de denúncia é uma ferramenta confiável, e não um risco ao denunciante.
3. Reconhecimento público de condutas éticas
Valorizar comportamentos corretos transforma integridade em algo visível, desejado e parte dos processos de reconhecimento interno.
4. Reação ágil a irregularidades
A demora em agir pode ser interpretada como conivência. Líderes que intervêm rapidamente evitam que pequenos desvios se tornem crises maiores.
5. Consistência na comunicação
Mensagens claras, frequentes e alinhadas ao propósito institucional reforçam que a ética é prioridade — e não uma pauta secundária.
Governança ativa: onde liderança e integridade se encontram
A governança corporativa é o espaço em que o discurso ético se converte em estrutura organizacional. É ela que garante processos independentes, controles efetivos, prestação de contas e responsabilidade compartilhada.
Quando governança e liderança atuam juntas, a cultura de integridade se consolida como parte da estratégia — e não como um apêndice burocrático.
Uma verdade simples: cultura é aquilo que acontece quando ninguém está olhando
A cultura de integridade não vive apenas nas políticas: ela vive nas decisões que ninguém vê, nas conversas de corredor, nas escolhas diárias de gestores e colaboradores.
E é exatamente por isso que a liderança é tão determinante. O exemplo tem um efeito multiplicador — inspira, disciplina e orienta.
A cultura ética não se impõe; ela se constrói. E começa sempre pelo exemplo.
Integridade se constrói com coerência entre discurso e prática.




Comentários