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Compliance na CIPA: Como a Lei 14.457/22 Transforma a Prevenção ao Assédio no Ambiente de Trabalho

  • Foto do escritor: Lilia Beatriz Freitas
    Lilia Beatriz Freitas
  • 23 de mar.
  • 3 min de leitura

O ambiente de trabalho está em constante evolução, e com ele, as exigências para a criação de um espaço seguro, respeitoso e produtivo. O assédio, em suas diversas formas (moral e sexual), sempre foi um obstáculo tóxico para o desenvolvimento de equipes e empresas. Agora, mais do que uma questão de ética, combatê-lo tornou-se uma obrigação legal clara e direta com a promulgação da Lei 14.457/22.


Esta legislação não apenas reforça a necessidade de combater o assédio, mas redefine o papel da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, que passa a ter o combate ao assédio como uma de suas atribuições centrais. A CIPA, como conhecíamos, evoluiu.


Neste artigo, vamos desmistificar as novas responsabilidades das empresas, o papel estratégico da CIPA+A (a nova sigla que você precisa conhecer) e como implementar um programa de compliance eficaz para proteger seus colaboradores e sua organização.



O Que Muda com a Lei 14.457/22?


Originada a partir do "Programa Emprega + Mulheres", a Lei 14.457/22 estabelece medidas concretas para a promoção de um ambiente de trabalho livre de assédio. A principal mudança é a atribuição de novas responsabilidades à CIPA, que agora deve incluir em suas atividades a prevenção e o combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho.


Isso significa que a atuação do comitê, antes focada em acidentes e doenças ocupacionais, expande-se para a esfera comportamental e cultural da empresa.


CIPA+A: O Novo Protagonismo na Prevenção


A mudança é tão significativa que muitos especialistas já se referem à comissão como CIPA+A (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio). Este novo "A" representa uma transformação estratégica.


A CIPA+A se torna a linha de frente da organização na implementação de uma cultura de tolerância zero ao assédio. Seus membros, que já possuem treinamento para identificar riscos, agora precisam ser capacitados para reconhecer, orientar e agir diante de situações de violência psicológica e sexual.


Novas Obrigações para Todas as Empresas com CIPA


Se a sua empresa possui CIPA, a adequação à nova lei é mandatória. As principais obrigações incluem:


1. Inclusão de Regras de Conduta: A empresa deve inserir em suas normas internas, de forma clara e acessível, regras de conduta a respeito do assédio sexual e de outras formas de violência, garantindo ampla divulgação a todos os colaboradores.


2. Criação de um Canal de Denúncias: É obrigatório fixar procedimentos para o recebimento e acompanhamento de denúncias. Esse canal deve garantir o anonimato do denunciante e estabelecer um processo de investigação e apuração interna, sem prejuízo dos procedimentos legais cabíveis.


3. Realização de Treinamentos Periódicos: A empresa deve promover, no mínimo a cada 12 meses, ações de capacitação, orientação e sensibilização para todos os funcionários, de todos os níveis hierárquicos, sobre temas relacionados à violência, ao assédio, à igualdade e à diversidade no âmbito do trabalho.


Como Estruturar um Programa de Compliance Efetivo?


Adaptar-se não é apenas cumprir a lei, mas fortalecer a sua marca empregadora e reter talentos. Siga estes passos:


Diagnóstico e Revisão: Analise seu código de conduta e políticas internas. Eles abordam o assédio de forma explícita? Estão atualizados?


Implemente um Canal Seguro: Mais do que um e-mail, considere plataformas especializadas que garantam confidencialidade e gestão profissional dos casos.


Capacite a Liderança e a CIPA+A: Líderes e membros da CIPA são seus principais agentes de mudança. Invista em treinamentos aprofundados para eles.


Comunique-se de Forma Contínua: Use todos os canais internos (murais, intranet, reuniões, SIPAT) para reforçar o compromisso da empresa com um ambiente de trabalho seguro e respeitoso.



A Lei 14.457/22 não é apenas mais uma burocracia. É um chamado para que as empresas assumam um papel ativo na construção de uma cultura organizacional mais humana e segura.


Investir em compliance e capacitar a CIPA+A para essa nova realidade vai além de evitar multas e processos trabalhistas. É uma decisão estratégica que impacta positivamente o clima organizacional, a produtividade, a atração de talentos e a reputação da sua marca no mercado.


Sua empresa não está apenas cumprindo uma lei; está investindo em seu ativo mais valioso: as pessoas.


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